
A revista Nossa História de fevereiro trás textos sobre o carnaval. Trata das origens da festa, sua adaptação ao calendário religioso, seu surgimento e evolução no Brasil. Destaque para a entrevista com o jornalista e historiador José Ramos Tinhorão. Famoso por suas opiniões polêmicas, Tinhorão faz uma critica interessante ao processo de comercialização do carnaval brasileiro, sobretudo o desfile do Rio de Janeiro. Transformaram uma festa popular, que se destacou pela espontaneidade, num espetáculo organizado, controlado, enlatado, manipulado, direcionado para turistas estrangeiros. Apesar de continuar um espetáculo grandioso, o desfile carioca perdeu muito de sua essência popular. Há alguns anos não somos premiados com sambas enredos marcantes como os de outros tempos. Escolas de Samba tradicionais (Mangueira, Portela, Salgueiro, Tradição, Império Serrano) estão se modificando e se adaptando aos novos tempos. Se todas caminharem no rumo do excesso de profissionalismo característico das tricampeãs Imperatriz e Beija Flor, os desfiles das escolas de samba carioca ficarão todos iguais. Uma pena! Não se trata de saudosismo romântico. Apesar de ser historiador, não tenho compromissos com o passado, não admiro outras épocas e não gosto de coisas velhas! Apenas tento contribuir para a valorização dos últimos traços de criatividade que perduram nesse mundo sem graça.

Nenhum comentário:
Postar um comentário